Trajetória de carreira por Nivea Oliveira

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O Espaço Secretária  compartilha hoje a trajetória de carreira de  Nivea Oliveira,   Assistente  Executiva  da Tim,  escritora e dramaturga com vários livros  publicados .

Morei em três continentes e tive inúmeras casas e experiências devido às constantes mudanças de contrato de trabalho.

Meu coração se deleita em cinco idiomas e sou múltipla no que diz respeito à profissão. Por vinte e dois anos morei na Itália, onde ainda tenho uma casa repleta de estórias através de objetos que comprei por onde passei. Atualmente moro no Brasil, em Copacabana, e me sinto muito bem. Sou escritora e dramaturga. Sou casada ainda hoje, mas decidi me separar há oito anos atrás depois de vinte e dois anos de casamento. A separação não ocorreu de forma conflituosa. Meu ex marido e eu somos bons amigos e nenhum de nós se casou de novo. Vou a Itália quase todos os anos. Sou italiana também, não somente no papel, mas em meu agir. Ninguém pode falar mal da Itália e do Brasil perto de mim! Trabalhei no continente africano representando o governo italiano em vários países, sendo o mais forte o Burundi onde morei duas vezes. A primeira vez foi durante a guerra e a segunda vez estávamos no pós guerra, mas a situação ainda era bem complicada em termos de segurança. Em um dos meus livros, uma Ponte Para Você, eu falo sobre essas minhas andanças pelo mundo. Esse é o único livro no qual falo sobre mim até o momento.

Meu primeiro livro foi publicado na Itália e teve duas edições. Chama-se Il Colore della Brace. Ele era bilíngue, italiano/português e foi fruto de um trabalho que eu fiz nas escolas italianas. Teve duas edições e foi usado dentro de um projeto que eu havia escrito voltado para a difusão da cultura brasileira. Ainda na Itália eu traduzi o livro do jornalista Gilberto Dimenstei, Meninas da Noite, para o italiano. No Brasil publiquei Uma Ponte Para Você, Feliz Escolha e Viajantes do Tempo.

Sou romancista e gosto de criar meus personagens observando o que ocorre ao meu redor. Vou lançar na Bienal do Livro, meu trabalho mais recente chamado A Casa do No, receitas do bem viver. Esse livro já marca a segunda fase do meu trabalho. Estou me especializando na escrita afetuosa e criativa, que tem muito a ver com o que sou, com o meu jeito de contar as estórias. Esse meu novo livro fala sobre como o meu irmão Antenor consegue costurar afetos através da cozinha. Ele tem uma casa constantemente frequentada por amigos e colegas de trabalho. Esses encontros são a fusão de “Saia Justa” com “Altas Horas”, fazendo alusão a esses dois programas da TV Globo para transmitir de forma rápida o clima desses momentos de troca. E durante esses encontros tem um pouco de tudo: discussão sobre temas atuais, decisões pessoais, relacionamentos e até momentos de silêncios que falam muito também.

Minha formação é em Letras. Fiz o magistério e dei aula na escola pública quando ainda era solteira. Depois pedi exoneração e fui para a Itália. Conheci o meu marido no Brasil e me casei em Torino, onde temos uma casa. Escrevo desde os onze anos de idade e nunca parei, em nenhum momento. Mesmo durante a guerra eu escrevia e a escrita me salvou de muitas coisas. Sou também guia de turismo (com carteira credenciada), secretária executiva (com curso feito no sindicato das secretárias) e intérprete e tradutora (com certificado italiano). Nunca paro de estudar, de ler, de escrever e de correr. A corrida me traz insigths para os meus livros e tenho uma gaveta cheia de medalhas de corridas amadoras. Acredito que a gente deve se cuidar por dentro e por fora. Sempre me questionam porque sou secretária se sou escritora e eu devolvo a pergunta com outra: por que precisamos ser uma coisa somente? Eu não desejo ser somente uma coisa, embora eu tenha a consciência de uma coisa, posso deixar a profissão um dia, como ocorreu com o ensino e o Turismo. Porém, a minha essência é a escrita. A escrita foi e é o fio condutor da minha vida profissional e pessoal. Quando voltei para o Brasil estava totalmente fora do mercado e consegui trabalhar na Tim como assistente do presidente. Eu já havia sido assistente na Presidência da Generali. Eu escrevo e falo com fluência a língua italiana e isso me ajudou sempre a encontrar trabalho em empresas do velho continente. Acredito que o fato de ter a cultura italiana também me ajude sempre. A escrita afetuosa é aquela que toca o outro, que sai de mim e vai para o mundo, retornando de modo diferente. Um eterno ciclo de criatividade e vida amorosa. Eu escrevo para vocês e vocês me devolvem isso de várias formas. Eu posso estar em várias funções, mas eu sou mesmo é escritora. Desde os onze anos de idade. Tenho meus antigos cadernos com várias caligrafias que marcam a minha evolução na escrita.

Te agradeço muito pela oportunidade em participar dessa entrevista e deixo uma mensagem para os teus leitores: vamos escrever as nossas vidas mesclando o coração e a razão. Desse modo as nossas vidas irão se deitar sob essa relva gostosa chamada felicidade. Não se preocupem em mudar de ideia, de escolha, de percurso. Vida é movimento! O importante é saber para onde estamos indo.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Heloisa disse:

    Palavras que toca m pela riqueza de sentido por sabermos todos temos um grande potencial e a Nívea consegue expressar isso com muita ternura . Parabéns de novo !

  2. Rosália Cosso disse:

    Estudei e me formei em Letras com a Nívea. Sou testemunha de todo o seu entusiasmo e dedicação ao que faz. Fico muito feliz pelo seu sucesso.

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